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100 batidas

100 batidas

27
Jul22

LUCA

JM

Olá,
Este é o "100 Batidas" e hoje venho apresentar-vos Luca.

Luca (2021) é um filme de comédia em animação da Pixar e Disney realizado por Enrico Casarosa. Luca é um pequeno monstro marinho que apesar da sua curiosidade sobre como seria a vida na superfície, não consegue ter coragem para emergir, até que conhece Alberto, um outro jovem monstro marinho que já vive lá em cima na Riviera Italiana. Então, depois de desenvolverem uma amizade, Luca desobedece aos pais e foge para uma pequena cidade, onde ele e novos amigos treinam para ganhar uma competição e ganhar dinheiro para então comprar uma Vespa, com a qual os amigos pretendem viajar pelo mundo. O filme está disponível na Disney Plus.

Luca é realizado por Enrico Casarosa, que criou uma curta metragem animada chamada La Luna, que foi nomeada aos OSCARS. A obra é escrita por ele e por Mike Jones que já tem no curriculum o guião de Soul. Luca é uma produção muito fofa, super divertida e, sobretudo, redondinha. Contradizendo os padrões habituais da pixar que costuma apresentar universos ultra criativos, o que mais me chamou a atenção em Luca foi o facto de ele ser mais coeso do que criativo. É um filme que pode até não ter uma trama excecional, não proporcionar grandes surpresas, ou oferecer muitos elementos fora do comum, mas é um filme que em pouco ou nada erra. Apresenta ligações narrativas precisas. Ao contar a história de uma aventura trivial para ilustrar a descoberta do mundo por crianças, e simbolizar a passagem da infância para a vida adulta. O guião de Luca possui três atos muito bem estruturados. Ainda que carregue a temática chave do amadurecimento ao longo de toda a trajetória, estes três atos são caracterizados por circunstâncias, elementos e conteúdos muito próprios, além de serem separados por mudanças de prespetivas fortes o suficiente para realimentarem sempre o interesse do espetador. 

O primeiro ato é marcado pela introdução do universo aquático: Enquanto revela a solidão do protagonista, e o que o espetador precisa de saber sobre os monstros marinhos e como eles se encaixam no nosso mundo. Surge, então, o turning point que leva a história para a superfície: Onde o protagonista ganha companhias e juntos eles expandem a visão do mundo e passam por lições de vida, brincadeiras, aventuras e desavenças. E por fim no terceiro ato mostra a tão esperada, planeada e prometida corrida enquanto guia as personagens principais às suas conclusões depois de toda esta experiência. 

A atenção que o guião tem com o desenvolvimento das personagens é brilhante. Para além do desenvolvimento tem em atenção as funções narrativas e o amadurecer das relações. O filme encontra, de facto, espaço para desenvolver as personagens principais e até algumas secundárias este trajeto leva-nos a ter uma relação passional com eles. Não há nenhuma personagem a mais, nem a menos. Está tudo na medida certa. Os atritos, ou mudança de comportamento, quando surgem, não surgem do nada, foram devidamente plantados anteriormente.

Luca é super coeso e coerente. Sem espaço para ser uma obra falhada e provavelmente será um dos filmes com mais apoio dos fãs da Disney. 

Esta foi a vigésima quarta crónica sobre a 7ª arte. 

Um bem haja.

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